Entre precisão e movimento: Hiran Gasparini e uma trajetória que não cabe em uma única definição
Ex-atleta da Seleção Brasileira de judô, médico otorrinolaringologista, cirurgião e preceptor da EPM-UNIFESP, Hiran Gasparini construiu uma trajetória em que diferentes versões de uma mesma história se encontram.
Aos 37 anos, vivendo em São Paulo, Hiran Gasparini poderia ser apresentado por uma sequência de títulos importantes. Médico otorrinolaringologista formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, preceptor da mesma instituição, profissional com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein e especialista dedicado especialmente à rinoplastia funcional e estética. Mas existe uma parte de sua história que ajuda a compreender tudo o que veio depois: antes da medicina, Hiran foi atleta de alto rendimento no judô e chegou a representar a Seleção Brasileira. O esporte lhe apresentou cedo uma realidade feita de disciplina, cobrança, preparação e respeito ao processo. Anos mais tarde, esses mesmos valores encontrariam outro lugar para existir, agora dentro da medicina.
Sua chegada à área médica não significou abandonar o atleta que havia sido. Pelo contrário. Hiran percebeu que experiências não precisam necessariamente substituir umas às outras. A disciplina construída no tatame passou a fazer parte da rotina de estudos, da formação médica e, posteriormente, da cirurgia. Essa maneira de enxergar a própria trajetória também influenciou sua visão sobre sucesso. Para ele, crescer não significa necessariamente romper com o passado, mas compreender o que cada fase acrescentou à pessoa que se está construindo.
Hoje, essa percepção também aparece em sua atuação na rinoplastia. Hiran trabalha a partir da integração entre função e estética, entendendo que um nariz não deve ser analisado apenas por sua aparência, assim como uma intervenção estética não deveria seguir uma fórmula repetida para diferentes pacientes. Seu olhar parte da individualidade, das características de cada rosto, da função respiratória e das expectativas de quem procura o procedimento. Em um momento no qual a própria estética começa a discutir cada vez mais naturalidade e identidade, sua proposta se distancia da ideia de padronização para buscar resultados coerentes com cada pessoa.
Existe ainda outro ponto importante nessa construção profissional. Depois de ter sido formado pela EPM-UNIFESP, Hiran retornou à instituição como preceptor. Passou, então, a participar da formação de novos médicos no mesmo ambiente que teve papel fundamental em sua própria história. Para ele, ensinar também é uma maneira de continuar aprendendo. A atividade acadêmica exige atualização, estudo, capacidade de justificar escolhas e disposição para rever conceitos. Essa troca entre prática, ciência e ensino mantém sua atuação em constante movimento.
E movimento talvez seja uma palavra especialmente adequada para definir sua história. Depois do judô, o esporte voltou a ocupar um espaço importante em sua vida através da corrida. Nas redes sociais, onde se comunica com uma comunidade de dezenas de milhares de pessoas, medicina, esporte e cotidiano passaram a dividir o mesmo espaço. Não como personagens diferentes, mas como partes de uma identidade que não precisa escolher apenas uma versão para apresentar ao mundo.
Essa talvez seja a mensagem mais interessante da trajetória de Hiran Gasparini. Em uma época em que somos constantemente estimulados a escolher rótulos para definir quem somos, sua história segue outra direção. Médico, cirurgião, professor, ex-atleta e corredor não são identidades concorrentes. São capítulos que continuam coexistindo. Para Hiran, ousar também passa por essa liberdade: permitir-se mudar sem negar quem se foi, construir novas versões de si mesmo sem precisar abandonar as anteriores. Porque algumas trajetórias não foram feitas para caber em uma única definição.
